quinta-feira, dezembro 01, 2011

Exposição do Cartografias Infantis na Associação Comunitária e Cultural Quilombo do Areal


No dia 19/11 as crianças da comunidade do Quilombo do Areal da Baronesa montaram a exposição do que foi produzido para o Projeto Cartografias Infantis. As fotografias tiradas por diferentes grupos de crianças de Porto Alegre em oficinas realizadas na Usina do Gasômetro, Cais do Porto, Redenção, Parcão, Jardim Botânico, ETA 24 de outubro e Hospital Psiquiátrico São Pedro ficarão em exposição no local até o dia 20 de dezembro.

terça-feira, julho 12, 2011

Projeto “Cartografias infantis: a cidade pela criança, a fotografia pela infância”


O projeto “Cartografias infantis: a cidade pela criança, a fotografia pela infância” apresenta a exposição fotográfica resultante do primeiro semestre de desenvolvimento do projeto. A mostra reúne fotografias tiradas por diferentes grupos de crianças de diferentes lugares da cidade de Porto Alegre. Este projeto é financiado pela Funarte e tem como objetivo mapear Porto Alegre através do olhar de crianças moradores da mesma. Tais fotografias estão disponíveis num site onde as pessoas poderão acessar a cidade de Porto Alegre por este outro ponto de vista. Para realizar as fotografias foram realizadas oficinas com os grupos de crianças que se reúnem com os coordenadores do projeto e se deslocam para um lugar da cidade munidos de máquinas fotográficas. Tais encontros também são repletos de conversas e impressões feitas pelas crianças sobre a cidade e a fotografia, que muitas vezes se refletem no nome que elas dão para suas imagens. As fotografias desta mostra são resultantes das seguintes oficinas: Hospital Psiquiátrico São Pedro e Jardim Botânico com as Crianças do Espaço Múltiplo, Parque Moinhos de Vento (Parcão) com as crianças da Comunidade Quilombola do Areal da Baronesa, Cais do Porto e Gasômetro com as crianças da Aldeia Kaigang da Lomba do Pinheiro, Estação de Tratamento de Água da 24 de Outubro com os alunos da Turma 34 do Colégio Rosário.
Os realizadores deste projeto são:
Larisa da Veiga Vieira Bandeira, Luciano Bedin da Costa, Mayra Martins Redin, Luciana Bandeira, Natália Arsand, Rafael Bandeira
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domingo, julho 18, 2010

Eu Sou VocÊ


Quem somos nós?
O Espaço Múltiplo é o local onde se reúnem crianças e jovens de três a doze anos, alunos de escolas públicas ou particulares, que moram próximas, ou não, à sua localização (Bairro Petrópolis). O grupo é formado pelos que são participantes diários, os eventuais, os esporádicos, os sazonais, os que vêm para participar das colônias de férias de inverno e verão. O Espaço é Múltiplo, mas o seu tamanho físico nem tanto, uma sala de 70m², com muitas janelas e saídas para os espaços abertos do clube onde está localizado (Petrópole Tênis Clube).
Uma única sala e crianças de diferentes faixas etárias, de diferentes escolas, diferentes séries, diferentes classes sociais e uma proposta simples: brincar e conviver se quiser, sempre junto de preferência, mas não obrigatoriamente. A vida no Espaço Múltiplo é fotografada, capturada pelo olhar adulto, as imagens das crianças nas brincadeiras, nas atividades, nos passeios são publicadas no blog que acompanha o Espaço Múltiplo desde o seu início em janeiro de 2007. Nas fotos do blog podemos perceber diferentes formas de fotografar as crianças e os seus movimentos, nos enquadramentos algumas aproximações que tentam trazer para a fotografia os momentos vividos em um grupo que não é uniforme, não é homogeneo ou permanente e que se reúne pela vontade de seus integrantes e pela necessidade de seus pais de proporcionar para os filhos algo diferente do que o ambiente escolar. O blog do Espaço Múltiplo funciona como um diário fotográfico dos acontecimentos das vidas dessas crianças nas tardes que passam lá. Esse diário virtual é compartilhado com os pais e se encontra disponível para o acesso na web.
Essas fotografias são feitas muitas vezes com celulares, quase sempre sem uma combinação prévia, são os registros das estratégias que as crianças utilizam para ocupar e conviver em um espaço que não tem a pretensão de ser escola, ou atelier, ou uma oficina, mas um lugar onde o encontro de diferentes faixas etárias, o brinquedo, o manuseio de diferentes materiais plásticos, são possibilitados bem como o contato com uma área de lazer que compreende uma praça, piscinas, quadras, grama, areia e terra, esses três últimos são os elementos quase indisponíveis nas escolas hoje em dia e proporcionam experiências bastante apreciadas pelas crianças que o frequentam.
As intensidades, as transitoriedades, a impermanência, as fragilidades das diferentes constituições desse grupo são repetidamente fotografadas, ineditamente fotografadas a cada dia, talvez parao  registro da presença de quem esteja nesse grupo a cada dia, talvez por que cada um dos dias que passou não é igual à hoje, e o grupo se modifica, diminui, aumenta, amplia e se multiplica de diferentes formas a cada momento.  Nessa potência do infantil, na força desses movimentos de vidas - a fotografia - tentando minimamente (se possível) capturar algo desses muitos sentidos que são produzidos por essas que durante esse breve tempo não são alunas, são apenas crianças.


Que dia é hoje?
                Hoje é dia 9 de julho de 2010, uma tarde chuvosa e fria, convite para molhar os pés nas poças d’água, para inaugurar o guarda-chuva novo, para conhecer outros lugares, um dia com muitos convites e novidades, é o dia em que a gente vai para uma exposição de arte. Hoje somos 14 crianças e jovens: Airon (5 anos), Carlos (5 anos), Sophia (3 anos), Marina (5 anos, aluna da educação infantil da escola Nossa Senhora do Brasil), Bernardo (5 anos, aluno da educação infantil do Instituto de Educação Flores da Cunha), Maria Júlia (8 anos, aluna da 3 ª série do Colégio Rosário), Moira (8 anos, aluna da 3ª série do Colégio Anchieta), Luis Fernando (8 anos, aluno da 2 ª série do Colégio Santa Inês), Camila (9 anos, aluna da 2ª série da Escola Estadual Anne Frank), Isabela (8 anos, aluna da Escola São José/Alameda/Califórnia- EUA), Danilo (8 anos, aluno da 3 ª série da Escola Estadual Leopoldo Tiethböl), Ilana (11 anos, aluna da 5ª série da Escola Estadual Leopoldo Tiethböl), Giovanna (10 anos, aluna da 4ª série do Colégio Concórdia), Grazziella (13 anos, aluna da 8ª série do Colégio Concórdia), e somos 4 adultos, Luciana, Júlia, Bianca e Larisa.
O que é arte?
                Antes de sair fizemos uma roda para conversar sobre algumas questões: O que é arte? Quem faz arte? Quem é artista? O que é uma obra de arte? Onde ficam as obras de arte?
O que se segue é a transcrição de um pouco, do tanto, da polifonia que tomou conta do grupo, não vou conseguir dar a autoria correta de cada trecho, por que hoje é o dia em que eu faço as perguntas e procuro ouvir as respostas e acompanhar as muitas novas perguntas que são suscitadas, porque somos muitos e de diferentes idades não existe uma ordem linear nessas conversas, os movimentos das conversas são orientados pela altura da voz, pela expressão mais ou menos vigorosa, pelo suporte encontrado na acolhida ou resistência do grupo, proporcionando movimentos circulares, algumas vezes com giros tão rápidos que provocam um aparecimento nessas conversas de assuntos que estavam aguardado a uma das muitas brechas para  surgirem na roda. A escuta necessária impede a escrita, vou me apoiar na memória das inquietações que foram provocadas na discussão.
A arte é o que está nas obras, no papel, nas telas dos museus. Mas pode estar nas ruas, nas estátuas, e tem obras nas ruas também. Pode estar no desenho dos tênis e das roupas. Todos podem fazer obras, ser artistas. A minha mãe disse que eu sou um artista, que estou sempre fazendo arte. Os cegos não podem fazer por que não enxergam e os débeis mentais também não porque não podem pensar. Eu acho que os cegos podem fazer, eles só não vão poder ver depois, eu vi um cara sem as mãos que pintava com os pés. Os surdos podem fazer por que não precisa ouvir para fazer arte. Têm umas obras tri loucas. Louco pode fazer arte? Pode, tem um monte de artista tri loucão. E o que é ser louco? É atravessar a rua correndo sem olhar para os lados. É chegar num guarda que tá de cavalo e bater no guarda. Eu sou louco, a minha mãe sempre diz: - “tu tá louco guri?” e eu sou artista também. As obras de arte ficam nos museus, nas escolas, nos teatros, nos museus, nos hospitais. Pintura é arte, cinema e música não, fotografia é. 

Para onde vamos?
                Foi feita com os pais uma combinação prévia via e-mail apresentando o objetivo da visita: Conhecer diferentes espaços de exposição e diferentes formas de arte. Foi solicitado que as crianças levassem suas máquinas para registrar a visita e foi feito também um pedido para que não se falasse para as crianças sobre o local: O espaço que será visitado faz parte do nosso imaginário adulto marcado pela função daquele prédio nas décadas passadas, as crianças ainda sem esse entendimento vão visitar um espaço de exposição, um conjunto arquitetônico antigo, grande e que hoje expõe obras de arte, são justamente essas percepções sobre o espaço e as obras, sem a nossa interferência sobre o passado do prédio que queremos reunir nas fotos e falas deles sobre a visita.



Para que fotografar?
                Para ver de perto e através dos olhos delas (as crianças), aquilo que nós só vemos de longe, lá da avenida, quando passamos rápido de carro ou ônibus. Para ver o que daquele lugar pela primeira vez aberto também para elas vai ser capturado nesses cliques das crianças. Para registrar de alguma forma o irregistrável até então. O ato de fotografar ganhará novas perspectivas através do olhar das crianças e o espaço visitado será recriado através do uso da fotografia, sendo as próprias crianças os autores dessas reflexões.



quarta-feira, julho 07, 2010

Le Petit Nicolas

terça-feira, maio 18, 2010