Quinta-feira, Abril 16, 2009

Tanza


Tanza
O que é ser um menino dentro de um conflito racial na Africa? Mendi Charef diretor do episódio Tanza do filme “All the Insivible Children” em português “Crianças Invisíveis”, nos oferece seu olhar sobre uma situação que nos chega em números de estatística e imagens expostas na televisão.
Para Charef Tanza é um menino que faz parte de um grupo de guerrilha mirim, que anda pela floresta com fuzil e metralhadora que se alimenta de uma comida feita por crianças, que calça um sapato maior que seu pé.
Tanza tem um parceiro (amigo seria uma palavra de luxo em um grupo onde o colega morto é substituído rapidamente), que tem a camiseta da seleção brasileira e em seu fuzil uma figurinha com o rosto estampado do Ronaldo Fenômeno demonstra admiração, interesse e conhecimento por assuntos do mundo além do conflito.
Enquanto cruzam território inóspito buscando um inimigo para acertar uma conta que foi iniciada pelas características de raça, pela posse de terra, Tanza encontra as ruínas de sua casa e escondidos sob o tijolo de uma parede estão seus tesouros, brinquedos preciosos que foram os companheiros da infância que habitou antes de ser um menino guerrilheiro.
Ao encontrarem seus inimigos, habitantes de uma aldeia, talvez muito parecida com a que ele viveu, onde seus moradores circulam e conversam, cujas crianças brincam despreocupadamente, talvez como a criança que ele foi um dia, mas que não reconhece mais, olhando para a aldeia o plano é traçado e os prédios que serão destruídos são escolhidos.
O prédio que Tanza arromba é a escola, com a bomba armada ele penetra em espaço de familiaridade, reconhece os objetos daquele lugar que como um templo oferece seus objetos sagrados para admiração, o quadro com perguntas que ele sabe a resposta, as fotografias da turma, os brinquedos, para todos estes elementos ele aponta e atira como se quisesse destruir tudo que elas lembram.
Depois ele senta em uma classe em frente ao quadro negro, retira os sapatos, descalça aquele símbolo de uma caminhada de adulto, de destruição e morte. Coloca os pés no chão de terra batida e cansado deita a cabeça sobre o detonador da bomba.
Charef nos oferece uma resposta, como pode ser um menino, muitos outros meninos, no meio de uma guerra, sem pais, sem cuidadores, com um passaporte carimbado para a morte.
Tanza é o primeiro dos muitos invisíveis lugares onde residem as infâncias.
Texto complementar do texto apresentado para a disciplina de Educação, Saúdo e Corpo.
Escrito e postado por Larisa da Veiga Vieira Bandeira. IIIº Semestre. 2009

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Meu NOME

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Feriado de Verão

Pés da Marina - Parque da Cachoeira - Canela - RS . 1/02/09.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado ao teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor -
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo,
[mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais
[demoradamente.

Alberto Caeiro


Domingo, Janeiro 25, 2009

Chuva de Verão


Cai rapidinho
Lava meus brinquedos
Molha as plantas, as calçadas, a sarjeta
onde vai correr um barquinho

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Uma escola para crianças felizes, criativas, geniais ....

Uma escola é um espaço de aprendizagem, de encontro, De conversa, de diálogo,
De contar histórias e descobrir novas maneiras de fazer as coisas,


De saber o quanto somos iguais e como somos diferentes.


Uma escola que é maior que o seu prédio e atravessa as ruas de seus limites.







Domingo, Agosto 17, 2008

Netinha em três tempos


NarcisoContemplação O pai

Passeio nas infâncias que não vivi.

relíquia das calçadas seguras
polimento caprichado

Careca tostada pelo sol

Segunda-feira, Abril 21, 2008

A cegueira


De tempos em tempos, somos mobilizados por algumas notícias. Algumas coisas, nessas notícias, mexem com sentimentos coletivos. Parece que elas lembram que estamos vivos, vivemos em comunidade, precisamos cuidar uns dos outros, somos responsáveis por alguém. Esquecemos por um momento nossos umbigos doloridos e pensamos nos problemas que não são nossos.

Quando essas notícias envolvem crianças, geralmente são essas manchetes que mais chocam, percebemos que alguns problemas são de todos. A infância, as crianças, seriam responsabilidade de adultos, de cuidadores, da sociedade.

Todos, individualmente e coletivamente, deveriamos cuidar. Cuidar de uma e de todas crianças. Tudo que passa pelo coletivo e supõe uma ação da comunidade, do indivíduo e de seu espaço de pertencimento, gera comoção.

Principalmente quando percebemos que falhamos nesse cuidado.

E, é importante frisar, já não falhamos só no cuidado da criança de rua, em situação de abandono, ou no cuidado da criança invisível pela sua miséria e falta de acesso. Já não conseguimos mais cuidar da criança limpinha, moradora do condomínio de classe média, que é vista feliz em centenas de fotos.

Quando falhamos com essa criança, e isso é revelado, ficamos em pânico. Queremos punir os responsáveis para sentir vingadas nossas falhas.

Essa criança tem tudo. É vista e ouvida por todos.

E todos, somos nós, já tão acostumados a não enxergar mais no sinal a criança que esmola.

A não enxergar mais a criança que estende a mão na rua.

A não enxergar mais a criança na sala de casa, perdida em seu mundo perfeito do quarto de dormir, calada por seus brinquedos de última geração.

Não enxergamos mais as crianças, elas são dependentes, e, em um mundo no qual não temos tempo para nada, ter alguém que dependa da gente para tudo, é algo inmaginável.

Não enxergamos mais as crianças, elas são agitadas, estão sempre se movimentando, perguntando, questionando. Passar o tempo cuidando, educando, respondendo, repetindo, é tarefa para poucos.

Não enxergamos mais as crianças, criamos espaços arquitetônicos coloridos e confortáveis para mante-las longe de nossa vista.

Não enxergamos mais nossas crianças, suas roupas são iguais as nossas, o amadurecimento delas não implica mais em nosso envelhecimento, podemos ser sempre jovens agora.

Quando, de alguma forma, alguém mostra que: crianças podem ser descartáveis. Realizando desejos que passeiam silenciosamente nos quartos mais escuros, das mentes dos indivíduos e da sociedade; ficamos chocados, pensando o quanto fomos longe na nossa cegueira.

Talvez, agora, fiquemos esperando o próximo ato.
Talvez um pouco mais atentos....