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domingo, novembro 04, 2007

Feira do livro


A feira é sempre um bom programa, para quem gosta de ler, para quem quer ver gente, para apreciar as borbulhas culturais de Porto Alegre.

Particularmente eu aprecio as possibilidades que derivam do agito causado por ela.

O território que mais circulo é o da literatura infanto-juvenil, percebo o quanto algumas Livrarias e Editoras já perceberam que alí é o espaço da criança manusear e conhecer os livros.

Destaque para a Paulinas e Ksol, que capricham na decoração e cuidam para que os livros sejam expostos na altura dos pequenos.

Muitos pais que alí circulam com seus filhos aproveitam para fazer resgates de suas infâncias, folheiam com curiosidade e prazer os livros.

As publicações das escolas, particulares e da rede pública, das instituições que trabalham com crianças e jovens como a FASE, de todas as partes aparecem produções textuais.

Todos preocupados em mostrar o resultado de um trabalho árduo e de perseverança, algumas vezes feito sem apoio, outras com todas condições imagináveis.

Estas publicações são o resultado de trabalhos e projetos desenvolvidos por professores, educadores, assistentes sociais e jornalistas.

Pessoas que acreditam na produção coletiva, no compartilhamento da palavra escrita, na legitimidade do saber de seus alunos.

A Feira faz uma vitrine colorida e festiva para estes autores e seus professores.

sexta-feira, setembro 07, 2007

6° Feira do Livro do Tietböhl- Aprendendo a Lição de Dona Sofia


Encantamento: tradução da possibilidade alcançada por uma escola. Como encantar, emocionar, educar, criar, envolver? Qual o segredo?

A escola Leopoldo Tietböhl sabe como fazer tudo isso como poucas, e o faz por se saber que é mais que paredes e classes; por se perceber além das expectativas da escola pública, superando em muito as particulares.

Em tempos difíceis para a educação, conhecer uma escola que é "um território de deslumbramento e aventura, uma passagem escancarada para um mundo de mistério e sabedoria” * é um grande prazer.

A Feira é um evento para a comunidade escolar, é fruto de um trabalho e dedicação de professores, direção, alunos, pais, mas mais do que tudo é um caminho natural desta escola: um caminho "íngreme e tortuoso” *, feito sem medir esforços, quantas vezes for necessário.

Na escola todos são autores, ilustradores, personagens que protagonizam suas histórias. Todos são responsáveis por suas obras, sabem cuidar, respeitar e proteger. Percebemos isso no cuidado que dedicam aos livros, na curiosidade ao ouvir os autores que vieram conversar com seus leitores, na utilização organizada dos espaços, na recepção afetiva de seus visitantes, no olhar entusiasmado e acolhedor das crianças.

A escola contagia com seu trabalho a todos que sobem suas escadas. No Tietböhl, a direção inicia suas falas com a frase "estamos muito felizes com vocês", e tenho certeza, as crianças também estão muito felizes de viverem suas infâncias em uma escola assim.

Entre os muitos livros em que as crianças mergulharam este ano, um deles conta sem saber o segredo desta escola. O maravilhoso “A caligrafia de Dona Sofia" de André Neves, fala sobre "criar coisas lindas, de que nem imaginávamos ser capazes” *. A escola realmente criou algo, que é concreto, mas é também poesia que é para a vida, para o mundo, para que cada um e todos se sintam capazes de criar coisas lindas.

Assisti o André Neves falando sobre o processo de criação para a platéia da 4°série, e ele disse que criava a partir de suas lembranças que dependia também do olhar diferenciado que lançamos sobre as coisas que vemos todos os dias.

O Tietböhl deixa com certeza lembranças significativas para muitas gerações que por ali passaram, pois ajuda a ver, a olhar diferenciadamente todas as coisas, e entender que não somos apenas espectadores, mas também protagonistas. Sou hoje o "seu Ananias", "deliciando-se com o primor existente em toda aquela casa."
*trechos da Caligrafia de Dona Sofia.