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domingo, junho 24, 2007

fadas falam?


Quais as falas que traduzem o que uma criança sente? Existe alguma palavra que guarde o sentido de algo que elas queiram dizer? Elas não falam só com as palavras, falam com o olhar, com a ausência e com presença que ocupam todos espaços, pois exigem cuidado, até se não quisermos percebe-las.

Podemos ouvir realmente o que elas querem falar? Nossos ouvidos estão afinados ou sensibilizados, ou nos acostumamos a responder apenas. Ouvir e entender o que tem por trás da fala, exige ouvido, alma e sentimento.

A fada vem para quebrar a barreira da linguagem, ela vem imagem e fantasia, vem cor e poesia. Não precisamos das palavras para observá-las, percebe-las, as palavras aparecem depois, para partilhar encantamento. Se as palavras vierem tentando explicar e dar sentido as fadas fogem, buscam outro canto para sobreviver.

As palmas são ainda o melhor ruído para iniciar esta conversa.

quarta-feira, junho 20, 2007

Fadas.....


A fada é uma figura de resistência, é uma personagem que sobrevive ao final da infância. Algumas fadas impedem o crescimento. Sininho lembra à Peter Pan a delícia de viver na Terra do Nunca. A fada madrinha da Gata Borralheira faz pensar que tudo pode ser resolvido com um movimento da varinha: ALAKAZU, AMEXICABU, ABIBIDIBOBIDIBU....

A fada diferente do Papai Noel, não possue comprovação de inexistência, não teremos nunca certeza que estes pequenos seres da floresta não existem.

A fada é portadora de significados, de uma suave impressão quando olhamos de relance em um canto do jardim, de uma necessidade de fantasiar um pouco a realidade, de lembrar do tempo que acreditávamos.

Acreditar em fadas na infância é quase uma necessidade, é manter um espaço que pode ser ocupado pela poesia, pela estética, pelo belo, pelo incrível e pelo encantamento.

Encantar-se, é um ato de vida, de sentir, de brilhar por dentro, encantar-se é vibrar com o que vemos e perceber o quanto é significante e especial, algo que para muitos parece ser banal.

A fada resiste porque encanta, seu encantamento é protetor.

Uma boa maneira de fazer as crianças acreditarem em fadas? Acredite você também.

domingo, junho 17, 2007

Se você acredita em fadas bata palmas


Faça uma criança acreditar em fadas, uma fada de asas de borboleta, de asas transparentes, de asas brilhantes, de roupas feitas de fios de teias de aranha, enfeitadas de flores minúsculas.

Faça uma criança acreditar em fadas, fadas com corpo de sereia, com chapéu de véu, uma fada fantásticamente minúscula e ligeira, que entra pela janela do quarto voando tão rápido que se você não estiver atento não vai perceber.

Faça uma criança acreditar em fadas, fadas que sobrevivem ao concreto e ao asfalto e que ficam escondidas entre as flores de plástico do shopping, fadas que bebem a água que pinga do ar-condicionado.


Fadas-madrinhas, fada Sininho, fadas que criam vida, batem as asas e voam dos livros, das tatuagens adolescentes.

Faça uma criança acreditar em fadas, não como um Papai-Noel que traz presentes, um coelho que traz ninhos, não uma fada com data certa, com dia marcado.


A fada não deve estar ligada ao calendário ou a um presente, no máximo a uma moeda quando perdemos o dente. Deve ser possível à fada aparecer em qualquer tempo, qualquer dia, qualquer noite, qualquer tarde passada em frente ao vídeo-game, perdida no tédio da falta de convívio. Deve ser permitido à fada aparecer no meio das inúmeras tarefas rotineiras da infância, no meio da faixa de segurança enquanto a criança pede esmola no sinal.

Faça uma criança acreditar em fadas, a criança pode ser seu filho, seu aluno, pode ser a criança que você foi, se você fizer ela acreditar em fadas, a fantasia poderá permanecer, poderemos nos salvar da falta de tempo e imaginação, poderemos então perceber o sutil, o etéreo, o simbólico.

Se você acredita em fadas bata palmas.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Resistência


A infância é uma zona de resistência, onde ficamos e podemos nos dar o luxo de ser sonhadores. Resistimos nela, a todas provas mais difíceis, sob o manto da ternura e da pequena estatura. A infância é um conceito que nos protege, faz com que pensemos que a vida é uma propaganda de margarina, de um novo condomínio ou de um filme que passa nas férias e é lindo para toda família.
Nem imaginamos que a infância também é tempo de provas difíceis, de remédios amargos, de tristes finais.
Só queremos o que é bom e confortável, o colo da mãe, a comida da vó, a sessão da tarde, o brinquedo novo.
Cuidar da infância, criar a infância não é ser criança. É ser adulto sem ser ranzinza, sem ser limitado, sem querer viver por eles as dores deles, é ser atento e sensível, é entender o sonho e conseguir realizá-lo.
É permitir que sejam crianças em energia coletiva, positiva e íntegra.

domingo, novembro 05, 2006

Ciranda


Prezado Tete Catalão
Quem ousa escrever sobre infâncias que já foram vividas?
Sobre crianças que morreram no processo de "amadurecimento"?
Quem nos convida a cirandar achando que não esquecemos o prazer de partilhar uma roda?
As pessoas que nos ajudam a fazer, a escrever às vezes são adultos tristes, outras são professoras, amigas, irmãs que acreditam que estas crianças ainda possuem voz, outras são os poetas que emprestam suas palavras para construirmos asas alçarmos vôos e ganharmos a rua, procurando e acordando outras crianças para cirandar.
Vou colar aqui tuas palavras que me fizeram saltitar:
"percepção em sintonia fina
você conduziu a infância pelo imaginário
do "eterno retorno" atemporal, um valor permanente
latente em que nos adulteramos ao nos tornar(em) adultos"
Obrigada, até a próxima